
No tênis, nada está garantido.
A partida só termina quando o último ponto cai — e, até lá, qualquer jogador pode virar o jogo completamente. As viradas abaixo não são apenas sobre placares revertidos: são sobre sobrevivência, coragem, quebras inesperadas, gestão emocional, dor, pressão psicológica e aquela força invisível que aparece no limite.
Aqui estão as viradas mais impressionantes da história, agora com mais profundidade, mais bastidores e com o resultado final completo de cada duelo.
1. Rafael Nadal vs. Daniil Medvedev — Final do Australian Open 2022
Resultado final: Nadal venceu por 2–6, 6–7(5), 6–4, 6–4, 7–5
Nadal entrou na final como azarão: 35 anos, meses parado por lesão e um caminho duro até a decisão. Medvedev, mais jovem e número 2 do mundo, abriu 2 sets a 0 jogando firme, devolvendo tudo e desmontando o forehand de Nadal.
No fim do segundo set, muitos viram o jogo como “irreversível”.
Mas Nadal não é um jogador comum — ele é o jogador das zonas sombrias da partida, dos momentos onde tudo parece perdido.
A virada começou silenciosamente:
- Nadal passou a jogar mais perto da linha, pegando a bola mais cedo.
- Começou a variar o ritmo e tirar Medvedev da zona de conforto.
- A torcida entrou no clima emocional da virada.
O terceiro set virou, o quarto também, e no quinto Nadal abriu vantagem, perdeu, recuperou e finalmente fechou em 7–5.
Foi a maior virada da carreira de Nadal em Slam, e uma das maiores da história do esporte.
2. Novak Djokovic vs. Roger Federer — Final de Wimbledon 2019
Resultado final: Djokovic venceu por 7–6(5), 1–6, 7–6(4), 4–6, 13–12(3)
A final mais longa da história de Wimbledon. Federer jogou um tênis mais bonito, mais agressivo e mais fluido durante quase toda a partida. Djokovic, por outro lado, venceu porque soube suportar o sofrimento — uma das características que o define.
O ponto de virada está marcado no coração de qualquer fã:
- Federer servia em 40–15, dois match points, 8–7 no quinto set.
- Djokovic salvou o primeiro com uma devolução profunda;
- Salvou o segundo com coragem e precisão cirúrgica.
Federer nunca mais recuperou a liderança emocional.
Djokovic levou a decisão ao tiebreak final do quinto set — uma novidade naquele ano — e venceu com firmeza mental absoluta.
Uma virada histórica não pelo placar global, mas pelos momentos impossíveis salvos.
3. Jennifer Capriati vs. Martina Hingis — Final do Australian Open 2002
Resultado final: Capriati venceu por 4–6, 7–6(7), 6–2
O calor estava acima dos 45°C, a quadra refletia luz, e Capriati parecia à beira de desmaiar em certos momentos. Hingis, tecnicamente superior e completamente no comando, teve quatro match points no segundo set.
E Capriati?
Ela se recusou a desistir — e jogou os match points com uma coragem absurda:
- Saques no limite.
- Forehands acelerados.
- Defesa milagrosa em pontos longos.
Ao salvar os match points, a dinâmica emocional virou completamente.
No terceiro set, Hingis murchou e Capriati dominou fisicamente o jogo, fechando por 6–2.
Uma virada marcada pela resistência humana acima da técnica.
4. Guillermo Coria vs. Gastón Gaudio — Final de Roland Garros 2004
Resultado final: Gaudio venceu por 0–6, 3–6, 6–4, 6–1, 8–6
Coria jogou os dois primeiros sets como o melhor tenista do planeta naquele dia. Gaudio parecia perdido, sem confiança, irritado, completamente fora do jogo.
Mas no tênis, o corpo e a mente podem virar vilões.
Coria começou a sentir câimbras no terceiro set. Ainda assim, teve dois match points no quarto set — mas a perna não respondeu, o braço pesou, e o psicológico desintegrou.
Gaudio, inspirado, passou a jogar leve, livre de pressão, e ganhou ritmo.
No quinto set, uma montanha-russa emocional:
- Gaudio abriu vantagem,
- Coria recuperou,
- Gaudio quebrou novamente e fechou em 8–6.
É talvez a virada mais dramática, humana e sofrida da história.
5. Andre Agassi vs. James Blake — US Open 2005 (quartas)
Resultado final: Agassi venceu por 3–6, 3–6, 6–3, 6–3, 7–6(6)
Um duelo de gerações sob as luzes de Nova York.
Blake estava no auge da confiança — veloz, agressivo e acertando tudo — abriu 2 sets a 0 atropelando Agassi.
Poucos acreditavam em reação. Mas Agassi tem uma das melhores leituras de jogo da história.
O turning point:
- Agassi passou a devolver saque mais fundo,
- A atrair Blake para ralis longos,
- A desmontar a agressividade com paciência e precisão cirúrgica.
O público transformou o Arthur Ashe Stadium num vulcão.
No tiebreak final, Agassi manteve a calma e venceu um dos jogos mais emocionantes da sua carreira.
Virada icônica, com clima de cinema puro.
6. Serena Williams vs. Maria Sharapova — Australian Open 2005 (semifinal)
Resultado final: Serena venceu por 2–6, 7–5, 8–6
Sharapova não só jogava melhor naquele dia — ela controlava totalmente o ritmo. Teve três match points e parecia pronta para fechar a vitória.
Mas Serena é Serena.
Ela salvou match points jogando:
- agressiva,
- profunda,
- ousada,
- e completamente no ataque.
A virada começou ali.
Sharapova se retraiu, Serena cresceu, e o terceiro set virou uma batalha emocional.
No 8–6 final, Serena vibrou como se tivesse vencido a final — e de certa forma, aquele jogo foi a verdadeira final.
7. Novak Djokovic vs. Stefanos Tsitsipas — Final de Roland Garros 2021
Resultado final: Djokovic venceu por 6–7(6), 2–6, 6–3, 6–2, 6–4
Tsitsipas dominou os dois primeiros sets jogando um tênis solto, agressivo e preciso. Djokovic parecia desconectado, errando devoluções, perdendo intensidade e ritmo.
Mas Djokovic tem uma habilidade quase sobrenatural:
reconstruir-se emocionalmente dentro do jogo.
No terceiro set:
- Ajustou o posicionamento nas devoluções,
- Acelerou o backhand paralelo,
- Fez Tsitsipas correr lateralmente,
- Começou a comandar mentalmente o jogo.
A virada foi construída em camadas: técnica, física e psicológica.
No quinto set, Djokovic controlava completamente o duelo, fechando com autoridade.
8. Francesca Schiavone vs. Svetlana Kuznetsova — Australian Open 2011 (oitavas)
Resultado final: Schiavone venceu por 6–4, 1–6, 16–14
Não existe nada parecido com esse terceiro set.
Nada.
Foram quase 5 horas de jogo.
Match points salvos dos dois lados.
Ralis de mais de 20 golpes.
Pontos onde parecia que nenhuma das duas conseguiria continuar.
Schiavone venceu pelo coração, pela teimosia esportiva e pela confiança de que cada ponto valia uma vida.
O 16–14 final é um número que carrega dor, drama, beleza e resistência.
Um dos maiores épicos da história do tênis feminino.
9. Rafael Nadal vs. Fernando Verdasco — Australian Open 2009 (semifinal)
Resultado final: Nadal venceu por 6–7(4), 6–4, 7–6(2), 6–7(1), 6–4
Um jogo que não é virada de placar, mas é virada de controle emocional e técnico. Verdasco jogou provavelmente o melhor tênis da carreira, disparando winners absurdos e pressionando Nadal do começo ao fim.
O jogo foi uma batalha física e mental:
5h14 de duração.
O ponto de virada real foi:
- Nadal lendo melhor o saque
- Verdasco sentindo o peso emocional no quinto set
- A consistência de Nadal em trocas longas mudando o equilíbrio
O erro duplo de Verdasco no match point final é simbólico:
depois de tudo, a mente pesa.
Nadal venceu e, dois dias depois, derrotou Federer na final.
10. Fabio Fognini vs. Rafael Nadal — US Open 2015 (3ª rodada)
Resultado final: Fognini venceu por 3–6, 4–6, 6–4, 6–3, 6–4
Se existe uma virada improvável contra Nadal em Slam, é esta.
Fognini estava irreconhecível nos dois primeiros sets: errático, tenso, com pouco peso de bola.
Mas, no terceiro set, algo mudou.
Fognini entrou naquele raro estado de fluxo em que tudo entra:
- paralelas improváveis,
- devoluções agressivas,
- curtinhas milimétricas,
- ritmo ofensivo inquebrável.
Nadal resistiu, mas o italiano manteve uma intensidade absurda até fechar o jogo.
É uma das poucas vezes em que Nadal deixou escapar um jogo em Slam após abrir 2 sets — e uma das maiores viradas da carreira de Fognini.
Por que essas viradas ficam na memória para sempre?
Porque o tênis é o esporte das micro-decisões.
Das pequenas escolhas que mudam tudo:
uma devolução arriscada,
um forehand na linha,
um smash que entra por centímetros.
As viradas são a expressão máxima da alma do esporte:
não existe garantido,
não existe relógio,
não existe desistir.
E por isso elas são tão emocionantes.
Porque mostram o ser humano lutando contra limites físicos e mentais — e, às vezes, superando todos eles.
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