
Falar sobre as melhores academias de tênis da América do Sul é mais difícil do que parece. Não porque faltem bons lugares para treinar, mas porque o continente não funciona como alguns polos mais centralizados do tênis mundial, em que uma ou duas academias acabam virando unanimidade. Na América do Sul, a força está espalhada. Ela aparece em centros de treinamento muito sólidos no Brasil, em escolas chilenas que trabalham forte a transição para o alto rendimento, em estruturas federativas como a da Colômbia, e em projetos argentinos que combinam formação, capacitação de treinadores e cultura de saibro. Ao mesmo tempo, o que faz uma academia ser realmente boa, de verdade, não é só o nome do fundador. É a soma entre estrutura, staff, calendário competitivo, ambiente diário de treino e capacidade de colocar o jogador em contato com o circuito certo na fase certa.
Antes da lista, vale alinhar uma coisa importante. Para este recorte, eu considerei academias e centros que mostram, publicamente, pelo menos parte de cinco elementos essenciais: programa de competição ou alto rendimento, estrutura consistente de quadras e apoio físico, staff técnico identificável, relação real com torneios ou desenvolvimento competitivo, e capacidade de atender não só iniciantes, mas também atletas em formação séria. Em outras palavras, não é uma lista de clubes bonitos nem de lugares turísticos para fazer uma semana de tênis. É uma seleção pensada para quem enxerga treino como projeto.
Também ajuda entender o contexto. O tênis de formação hoje gira em torno de uma escada bem clara: circuito juvenil, torneios ITF, transição para o profissional e, no masculino, entrada no ITF World Tennis Tour antes de ATP Challenger e ATP Tour. No juvenil, a lógica é parecida, com a World Tennis Tour Juniors funcionando como plataforma de lançamento. Por isso, academias que conseguem inserir seus atletas em torneios oficiais, ou que sediam eventos competitivos relevantes, normalmente saem na frente. Elas não oferecem apenas treino. Elas oferecem ecossistema.
O Brasil segue como o grande polo do continente
Se a pergunta for qual país concentra o maior número de centros fortes hoje na América do Sul, a resposta mais natural continua sendo o Brasil. Não necessariamente porque exista uma única mega academia dominante, mas porque o país reúne volume, calendário, tradição de saibro, eventos profissionais e vários projetos que se conectam com o tênis de base, o tênis universitário e a formação profissional. Dentro desse mapa, alguns nomes se destacam com mais clareza.
ADK Tennis, Itajaí: um dos ambientes competitivos mais fortes do Brasil hoje
Se eu tivesse que apontar um centro que hoje simboliza muito bem o conceito de academia forte na América do Sul, a ADK Tennis certamente estaria entre os primeiros nomes. A academia se apresenta como referência no treinamento e aperfeiçoamento de atletas de alto rendimento, trabalha desde a iniciação até a pré competição, competição, alto rendimento e tênis universitário, e usa a estrutura do Itamirim Clube de Campo, que oferece 15 quadras de saibro, três delas cobertas, além de duas quadras duras. Para tênis sul americano, essa combinação entre volume de quadras, foco competitivo e rotina de treino já coloca Itajaí em outro patamar.
Mas o que realmente faz a ADK subir de nível é o ambiente. O mesmo ecossistema em Itajaí abriga torneios de peso. Em 2026, o Itajaí Open abriu a temporada de Challengers no Brasil e foi apresentado como o primeiro Challenger 75 do continente naquele ano, com sete dos oito melhores brasileiros do ranking da ATP confirmados na chave principal. Quando um centro de treinamento convive de perto com esse tipo de evento, o efeito sobre a formação é enorme. O atleta júnior passa a olhar para o circuito profissional não como abstração, mas como continuidade lógica da quadra onde treina.
Outro ponto forte é a produção de atletas. A ADK mantém histórico recente de jogadores competitivos no cenário profissional, com nomes como Rafael Matos, Marcelo Zormann, Orlando Luz e Felipe Meligeni ligados à equipe em notícias do próprio centro. Isso não significa que todo mérito de carreira seja da academia, porque no tênis esse processo é sempre coletivo e móvel, mas mostra algo importante: quem treina ali não está apenas jogando bem em nível regional. Está circulando no tênis profissional de verdade.
Para jogador de base ambicioso, que quer muito saibro, rotina intensa e ambiente de competição real, a ADK é hoje um dos endereços mais fortes do continente. E para o tênis brasileiro, Itajaí virou mais do que uma cidade com boas quadras. Virou polo.
Rio Tennis Academy, Rio de Janeiro: a academia que cresceu junto com o circuito e com a ideia de equipe multidisciplinar
A Rio Tennis Academy entrou na conversa continental porque fez algo que poucas academias conseguem: combinou estrutura moderna, programação de base competitiva e presença consistente em torneios e parcerias de desenvolvimento. No site oficial, a academia apresenta quadras com funcionamento amplo, academia de musculação, coworking, auditório, vestiário, sauna e outros espaços de apoio. Mais importante do que isso, a Rio Tennis organiza a sua base competitiva em faixas claras, da pré equipe à equipe de competição, com trabalho pensado para circuitos estaduais, nacionais e até competições internacionais no COSAT.
Esse desenho importa muito. Muita academia diz que forma atletas, mas não mostra a escada interna. A Rio Tennis mostra. Ela separa o jogador que ainda está entrando no circuito daquele que já compete em âmbito nacional e precisa de maior intensidade, domínio de golpes, consolidação de padrão de jogo e suporte físico específico. Isso dá clareza para família, treinador e atleta, e reduz uma das maiores confusões do tênis de base: o adolescente que treina “como profissional” sem ainda ter estrutura competitiva correspondente.
Nos últimos dois anos, a academia também ganhou força porque passou a sediar e organizar eventos profissionais e juvenis com frequência maior. Em 2025, recebeu um M25 no Rio de Janeiro, com apoio de ITF, CBT e federação estadual, e a própria instituição destacou que o torneio oferecia oportunidade para jovens brasileiros buscarem pontos ATP. Em paralelo, seus atletas apareceram com resultados em ITF, COSAT e circuito CBT, incluindo títulos de J60 no Peru, J100 em Londrina e boas campanhas na Europa e na Bolívia. Esse tipo de resultado não transforma automaticamente uma academia em “a melhor”, mas mostra duas coisas que pesam muito: ela gera competição real e seus jogadores estão viajando e performando.
Há ainda um detalhe relevante. A Rio Tennis destacou parceria internacional com a Mouratoglou Academy e, internamente, parceria com André Sá para desenvolvimento de treinadores e jogadores. Em uma academia sul americana, esse tipo de ponte técnica conta bastante, porque aproxima a formação local de discussões mais atualizadas de metodologia, calendário e padrão internacional de exigência.
Se o perfil for jogador de base que quer treinar em grande cidade, com boa estrutura, equipe multidisciplinar e acesso a eventos profissionais, a Rio Tennis hoje é uma das candidatas mais fortes do continente.
Larri Passos Tênis Pro, Camboriú: menos marketing, mais peso histórico
Nem toda academia forte precisa ter o site mais completo ou a comunicação mais agressiva. Às vezes, o diferencial está no sobrenome que carrega e no tipo de cultura de treino que representa. A Larri Passos Tênis Pro, em Camboriú, entra nessa conversa por um motivo simples: Larri Passos é um dos treinadores mais marcantes da história do tênis sul americano, associado pela ATP ao longo trabalho com Gustavo Kuerten, incluindo o período em que Guga consolidou a sua condição de referência absoluta no saibro. O centro em Camboriú segue ativo e mantém sua base em Santa Catarina.
Aqui é importante ser honesto. O site público da Larri Passos Tênis Pro hoje mostra bem menos detalhes de programas e estrutura do que outras academias desta lista. Então ela não aparece entre as mais completas em transparência digital. Ainda assim, é impossível falar de academias relevantes na América do Sul sem incluir esse endereço, porque o método de treino associado ao nome Larri continua sendo parte da tradição competitiva brasileira, especialmente na formação em saibro, intensidade mental e disciplina de repetição.
Ela é, portanto, uma academia que pesa mais pela escola que representa do que pela quantidade de informação promocional disponível. Para alguns perfis isso conta menos. Para outros, principalmente quem valoriza herança de quadra e identidade forte de treino, conta muito.
Chile vive um momento especialmente interessante
Se o Brasil lidera em volume, o Chile chama atenção por outro motivo: academias com programa competitivo mais claro e staff técnico fortemente ligado ao circuito profissional e à Copa Davis. Duas delas merecem olhar atento.
Alto Tenis, Santiago: uma escola muito bem desenhada para formação completa
A Alto Tenis, em Santiago, é um exemplo muito bom de academia que organiza bem o processo inteiro. Fundada em 2007 por ex jogadores chilenos de alto rendimento, a academia trabalha desde a escola até o alto rendimento, com ênfase em desenvolvimento integral. O ponto que mais chama atenção, olhando de fora, é a clareza da escada pedagógica. A academia separa iniciação, fase de quadra laranja e verde, formação competitiva, elite e programa pro. Isso é valioso porque evita o discurso genérico de “treinamos todos os níveis” e mostra um caminho.
No programa de formação competitiva, o foco declarado está em jovens até 18 anos com bom desenvolvimento físico e técnico e experiências competitivas prévias. Já o programa elite mira jogadores de alta competição em nível internacional. E o programa pro fala claramente em acompanhamento individualizado para o circuito profissional. Para o pai, o treinador e o próprio atleta, isso é quase tão importante quanto a quadra, porque indica que a academia sabe diferenciar fase de formação, fase de consolidação e fase de carreira.
Além disso, a Alto Tenis trabalha no Club Providencia, em Santiago, e mantém uma equipe extensa de treinadores. Em um país que voltou a produzir nomes relevantes e a respirar mais tênis competitivo, esse tipo de estrutura torna a academia uma das mais interessantes do continente para quem busca uma base séria no Chile.
Elite Tennis Center, Santiago: staff muito forte e proposta mais personalizada
Se a Alto Tenis impressiona pelo desenho de processo, a Elite Tennis Center chama atenção pelo staff. O centro apresenta como head coaches Cristóbal Saavedra, ex profissional ATP 284 e ex Copa Davis chilena, além de Guillermo Rivera, também ex profissional e ex Copa Davis. O site ainda lista experiência de Saavedra no trabalho com Nicolás Jarry, Gonzalo Lama e Facundo Mena entre 2019 e 2023, além de outros profissionais ligados à fisioterapia, preparação física e psicologia do esporte. Em academias de alto rendimento, esse recorte multidisciplinar pesa muito.
Outro ponto interessante é o programa semanal para atletas de fora de Santiago ou do exterior, com até três horas diárias de treinamento técnico e tático e acesso a trabalhos físicos grupais e de alto rendimento. Isso mostra uma academia pensada não só para o aluno residente, mas também para blocos intensivos, o que é muito útil para jogadores sul americanos que querem preparar uma gira, sair da rotina ou fazer ajustes de curto prazo com equipe especializada.
Em termos de perfil, eu colocaria a Elite Tennis Center como uma opção muito forte para quem valoriza staff experiente, atenção mais personalizada e um ambiente tecnicamente denso, talvez menos “clube grande” e mais “núcleo de alto rendimento”.
Colômbia: quando a federação entra forte, o ecossistema muda
A Colômbia tem um diferencial que merece respeito. Além de academias privadas tradicionais, o país também dispõe de um centro federativo claramente voltado para desenvolvimento, concentração e suporte aos melhores jogadores.
Centro de Alto Rendimiento da Federação Colombiana de Tênis, Bogotá: quando o treino conversa direto com a seleção
O Centro de Alto Rendimiento da Fedecoltenis não é apenas um lugar para aulas. É o espaço onde se desenvolvem os programas esportivos e de capacitação da federação colombiana, sede da seleção juvenil, local de concentração para equipes em certames internacionais e lugar de treinamento dos melhores profissionais do país. Essa definição oficial, por si só, já diz muito. Academias privadas podem ter ótima estrutura, mas um centro federativo com esse papel ocupa outro lugar dentro do sistema.
Na prática, isso significa contato mais direto com o topo da pirâmide competitiva nacional. Para jogador colombiano em ascensão, ou para quem quer entender como funciona uma estrutura nacional forte, isso tem muito peso. Não é necessariamente o centro mais “comercial” da América do Sul, mas certamente é um dos mais relevantes para alto rendimento real.
Academia Colombiana de Tenis, Bogotá: tradição, volume de quadras e proposta ampla
Se a federação representa o lado institucional, a Academia Colombiana de Tenis representa muito bem o lado privado consolidado. A ACT se descreve como um dos centros de treinamento mais destacados do país, oferece programas para crianças, jovens e adultos, e chama atenção pela estrutura de 11 quadras de saibro, quatro delas iluminadas, além de academia, cafeteria, vestiários e áreas verdes. Na América do Sul, qualquer centro com esse número de quadras de saibro já merece atenção imediata.
Outro detalhe relevante é o staff. A academia tem Uriel Oquendo na direção e Fabiola Zuluaga como assessora das escolas de competição. Para um projeto sul americano, contar com uma ex jogadora de peso no desenho competitivo agrega legitimidade e repertório. A academia também mantém calendário de torneios e programas muito claros para 2025 e 2026, o que ajuda a mostrar que não se trata apenas de escola social ou recreativa. Há vida competitiva.
Para quem busca Bogotá como base de treino, a ACT é uma das estruturas privadas mais sólidas que aparecem publicamente hoje no continente.
Argentina continua sendo uma escola, mesmo quando seu modelo é menos “academia espetáculo”
A Argentina talvez seja o caso mais curioso desta lista. É um país com cultura tenística profunda, tradição fortíssima no saibro e um histórico enorme de jogadores relevantes, mas que muitas vezes opera mais por rede de clubes, treinadores e projetos do que por academias de marketing internacional. Isso não diminui a força do país. Apenas muda a forma como ela aparece.
Tenis Argentina Academy LP: forte em formação, metodologia e educação de treinadores
A Tenis Argentina Academy LP entra na lista porque oferece algo que muita academia sul americana ainda faz pouco: formação pensada não apenas para jogadores, mas também para clubes, federações, treinadores e organização de programas. No site oficial, a academia apresenta frentes de iniciação esportiva, gestão e organização de escolas de tênis, desenvolvimento júnior e adulto, educação de treinadores e árbitros, além de alto rendimento. Isso a coloca como um projeto mais sistêmico do que meramente comercial.
Talvez ela não tenha, publicamente, a mesma vitrine de atletas profissionais que as academias brasileiras mais expostas ou o mesmo apelo de uma reserva técnica chilena com ex Copa Davis no staff. Mas o fato de se posicionar como referência para melhorar programas de clubes e federações mostra um traço bem argentino: a formação do tênis como sistema, não apenas como produto. E isso, no longo prazo, costuma gerar base técnica forte.
Então, quais são as melhores de verdade
Se o critério for ambiente competitivo atual, volume de quadras, ligação com torneios relevantes e presença de atletas profissionais, ADK Tennis e o ecossistema de Itajaí aparecem muito fortes. Se o critério for academia moderna, multidisciplinar e em crescimento com boa inserção em torneios, a Rio Tennis é nome obrigatório. Se o foco for herança técnica e peso histórico, Larri Passos continua sendo uma referência simbólica que não dá para ignorar. No Chile, Alto Tenis e Elite Tennis Center formam uma dupla muito interessante, uma mais completa no desenho do processo, a outra muito forte no staff. Na Colômbia, o Centro de Alto Rendimiento da federação e a Academia Colombiana de Tenis mostram que Bogotá merece mais atenção de quem olha para o mapa do continente. E a Argentina segue oferecendo projetos sólidos, menos espetaculares na vitrine, mas muito consistentes na cultura de formação.
No fundo, a melhor academia da América do Sul não é igual para todo mundo. Para o menino de 13 anos que precisa de muita quadra e rotina diária, a resposta pode ser uma. Para o juvenil prestes a entrar em gira ITF, pode ser outra. Para o adulto competitivo que quer fazer bloco intensivo com staff forte, outra ainda. O continente não tem um único templo do tênis. Tem vários polos com personalidades diferentes. E talvez essa seja justamente a sua maior riqueza.
Porque o tênis sul americano, quando funciona bem, não forma jogadores em linha de montagem. Forma jogadores com identidade.
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