
Poucas discussões mexem tanto com jogadores amadores e entusiastas quanto a eterna pergunta:
“O que é melhor: backhand de uma mão ou de duas mãos?”
E a resposta nunca foi tão simples quanto escolher “o mais bonito” ou “o mais eficiente”.
Cada estilo nasceu de uma época diferente do tênis, evoluiu conforme a velocidade das quadras e hoje atende perfis de jogadores totalmente distintos.
Este guia vai te mostrar, sem tecnicismos exagerados, como cada backhand se comporta no jogo real, quais situações favorecem um ou outro, e como escolher o que faz mais sentido para você — seja como jogador ou até como fã, entendendo melhor a estratégia dos profissionais.
A origem dos dois estilos (e por que a transição mudou tudo)
O backhand de uma mão é o mais tradicional.
Era o golpe dominante quando o tênis era mais lento, com quadras que favoreciam trocas longas e empunhaduras clássicas.
Jogadores como Edberg, Becker e Sampras fizeram história com ele.
A mudança começou quando as quadras rápidas ficaram ainda mais rápidas, a bola ganhou mais energia e os tenistas passaram a exigir mais estabilidade na devolução e no contra-ataque.
Aí o backhand de duas mãos ganhou espaço — primeiro como resposta, depois como padrão.
Hoje, o circuito profissional mostra isso com clareza:
- 90% dos jogadores usam duas mãos
- 10% mantêm a uma mão, com estilos mais agressivos e construções de ponto diferentes
Mas os dois seguem extremamente relevantes — por motivos diferentes.
Backhand de duas mãos — estabilidade, controle e resposta rápida
O backhand de duas mãos virou dominante por motivos muito simples:
ele é mais estável, mais consistente e mais eficiente para lidar com bolas rápidas e pesadas.
Vantagens reais no jogo
- Controle impressionante na devolução
- Equilíbrio corporal maior, principalmente em corrida
- Menos exigência física para manter profundidade
- Melhor resposta contra topspin alto (bola que sobe no ombro)
- Arma defensiva absurda, ideal para recuperar ralis
Djokovic é o grande exemplo moderno: um backhand que não desmonta sob pressão e que permite tanto contra-ataques quanto mudanças de direção precisas.
Onde ele brilha mais
- quadras duras
- ralis rápidos
- devolução de saque
- troca cruzada pesada
- linha paralela firme em alta velocidade
É o backhand da segurança e da consistência.
Backhand de uma mão — alcance, aceleração e estética agressiva
O backhand de uma mão não domina o circuito, mas quando é bem executado, ele cria algo que nenhum outro golpe do tênis entrega:
combinação de arte, risco e aceleração com alcance ampliado.
Ele exige técnica muito boa, força de tronco e tempo de bola perfeito — mas recompensa com um dos golpes mais bonitos do esporte.
Vantagens claras
- Alcance maior (excelente para defesa aberta ou bolas anguladas)
- Aceleração limpa, perfeita para winners paralelos
- Variação natural de slice, melhor do que a de duas mãos
- Transição para a rede mais fluida
- Possibilidade de golpes mais agressivos com pouco espaço
Federer, Wawrinka e Thiem mostram isso melhor que qualquer explicação.
Onde ele brilha mais
- saibro (pela variação de altura da bola)
- quadras com mais tempo de preparação
- ataques paralelos
- contra-ataques agressivos
- mudanças de ritmo com slice
É o backhand da criatividade e da construção ofensiva.
Desvantagens reais dos dois estilos (sem romantizar nada)
Duas mãos — desvantagens
- menos alcance lateral
- slice menos natural
- exige ajuste maior para bolas baixas
- movimento mais preso quando o jogador está correndo para trás
No fundo, ele perde um pouco da “liberdade de braço”.
Uma mão — desvantagens
- sofre MUITO com bolas altas no ombro
- devolução menos sólida contra saque forte
- perde firmeza quando o jogador é empurrado para trás
- técnica mais difícil de manter sob pressão
É um estilo mais sensível ao ritmo e à qualidade do adversário.
Perfis ideais — qual estilo combina com você?
👉 Se você é jogador agressivo, gosta de atacar e tem tempo de preparação
Backhand de uma mão pode te dar mais liberdade e golpes mais plásticos.
Ótimo para quem gosta de criar ângulos e finalizar jogadas.
👉 Se você é consistente, sólido e gosta de trocar bola antes de atacar
Duas mãos entregam firmeza, repetição e profundidade.
Melhor para quem joga pressionando, mas sem tanto risco.
👉 Se você é iniciante ou intermediário
Duas mãos é quase sempre a melhor escolha.
Aprendizado mais rápido e menos frustração técnica.
👉 Se você joga muito slice ou gosta de variar ritmo
Uma mão te dá transições mais naturais.
👉 Se você devolve muito saque ou gosta de ritmo
Duas mãos entregam estabilidade inigualável.
Exemplos de elite: o que podemos aprender com eles

Djokovic — o ápice do backhand de duas mãos
Mostra como firmeza + direção + tempo = domínio completo.
Wawrinka — o ápice do backhand de uma mão
Combinação de potência, rotação e profundidade absurda.
Thiem — potência com agressividade controlada
Prova de que uma mão pode competir com o tênis moderno em alto nível, desde que bem construída.
Conclusão: o melhor backhand é o que combina com seu jogo (não com o circuito)
O circuito profissional segue tendência — hoje, majoritariamente duas mãos.
Mas no tênis real, aquele que você joga, acompanha e sente, não existe certo e errado.
- Um backhand de duas mãos bem treinado te dá solidez diária.
- Um backhand de uma mão bem executado vira assinatura de estilo.
O que importa é entender quem você é como jogador e como esse golpe encaixa no seu ritmo, no seu físico e na sua personalidade em quadra.
No fim, o backhand não é só técnica — é identidade.
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