
Quem começa a jogar tênis normalmente se preocupa com força, corrida, bola rápida… e deixa a empunhadura em segundo plano.
Quem joga há mais tempo aprende, quase sempre da forma difícil, que a maneira como você segura a raquete define o tipo de bola que você consegue bater.
Não é exagero dizer que a empunhadura é a base de tudo: forehand, backhand, saque, slice, voleio. Quando ela não combina com o seu jogo, surgem erros, desconforto e aquela sensação de que “a bola não obedece”.
Neste guia, a ideia é simples: te fazer entender empunhadura de verdade, sem complicação, para que você consiga assistir a um jogo, treinar ou ajustar seu próprio golpe com mais consciência.
Antes de tudo: não existe empunhadura perfeita
Esse é um ponto importante.
No tênis moderno, não existe uma empunhadura certa para todo mundo. Existe a empunhadura que funciona melhor para:
- o seu nível
- o seu tipo de golpe
- o piso em que você joga
- a altura da bola que você mais enfrenta
- sua mobilidade e preparo físico
Por isso, jogadores profissionais usam empunhaduras diferentes, mesmo jogando no mais alto nível. O que todas têm em comum é coerência com o estilo de jogo.
Como identificar uma empunhadura (sem virar aula teórica)
O cabo da raquete não é redondo por acaso. Ele tem oito faces.
Essas faces servem justamente para ajudar a posicionar a mão sempre da mesma forma.
Você não precisa decorar números ou nomes agora. O que importa é entender como a raquete fica em relação à sua mão: mais aberta, mais neutra ou mais fechada. É isso que muda o comportamento da bola.
A empunhadura Continental: a mais neutra e mais usada (mesmo sem você perceber)
Se você já sacou alguma vez, já usou a empunhadura Continental, mesmo sem saber o nome.
Ela é a empunhadura mais neutra do tênis e aparece o tempo todo em:
- saques
- voleios
- slices
- smashes
- bolas defensivas
Quando você segura a raquete em Continental, a face da raquete não fica nem muito aberta nem muito fechada. Isso dá versatilidade, mas limita o topspin.
Por isso, praticamente todos os jogadores do mundo usam Continental no saque, independentemente do nível.
Ela não é a melhor empunhadura para trocar bolas no fundo da quadra com topspin, mas é indispensável para o jogo completo.
Eastern de forehand: controle, sensação limpa e jogo clássico
A empunhadura Eastern foi, durante décadas, a mais usada no forehand. Ainda hoje é muito comum entre amadores e jogadores que gostam de bater mais reto.
Ela dá uma sensação muito “limpa” no impacto. A bola sai controlada, profunda, e você sente bem a raquete.
Funciona muito bem em quadras rápidas e para quem não gosta de exagerar no spin.
Por outro lado, sofre um pouco quando a bola vem muito alta, especialmente no saibro.
É uma empunhadura confortável, natural e ótima para quem está evoluindo no jogo e quer consistência.
Semi-Western: a empunhadura do tênis moderno
Se existe uma empunhadura que define o tênis atual, é a Semi-Western.
Ela permite gerar spin com facilidade, mas sem perder potência nem controle. A bola sai mais pesada, com mais margem sobre a rede, e cai dentro com mais segurança.
Por isso ela é tão popular no circuito profissional e entre jogadores avançados de clube.
É a empunhadura ideal para quem joga no fundo da quadra, gosta de acelerar a bola e enfrenta bolas altas com frequência.
Não é a mais confortável para iniciantes, mas quando bem dominada, entrega um equilíbrio excelente entre agressividade e controle.
Western: spin extremo e exigência física alta
A empunhadura Western fecha bastante a raquete.
Ela faz a bola subir muito rápido e girar bastante, o que é ótimo para o saibro e para trocas longas.
Por outro lado, exige pernas fortes, bom tempo de bola e preparação antecipada. Bolas baixas viram um desafio, e o jogo na rede fica mais complicado.
É uma empunhadura que funciona muito bem para alguns estilos específicos, mas não é a mais comum nem a mais versátil.
Backhand: uma mão ou duas mãos, empunhaduras diferentes
No backhand, a empunhadura depende muito se você bate com uma mão ou com duas.
No backhand de uma mão, a empunhadura é mais clássica, favorece controle, slices e variação, mas exige mais força e técnica.
No backhand de duas mãos, a mão dominante ajuda no controle e a outra gera potência. É mais estável, mais fácil de defender e muito eficiente na devolução.
Nenhuma é melhor que a outra. É uma escolha de estilo, conforto e coordenação.
Como escolher sua empunhadura na prática
Se você está começando ou jogando há pouco tempo, o melhor caminho é não exagerar.
Empunhaduras muito fechadas cedo demais costumam atrapalhar mais do que ajudar.
Se você já joga há um tempo e sente dificuldade com bolas altas, provavelmente uma empunhadura mais fechada vai te ajudar.
Se sente que a bola sai sem controle, talvez esteja fechando demais.
O ideal é testar, observar e ajustar — não copiar cegamente o que um profissional usa.
Erros comuns que atrapalham a evolução
Um erro frequente é apertar demais a raquete.
Outro é mudar de empunhadura sem perceber durante o ponto.
Também é comum tentar usar a mesma empunhadura para tudo, o que limita bastante o jogo.
A empunhadura correta deixa o golpe mais simples, não mais complicado.
Empunhadura é fundamento, não detalhe
Quando a empunhadura encaixa, o jogo flui.
A bola sai mais pesada, o erro diminui, o braço relaxa.
Por isso, ajustar a empunhadura costuma ser um dos primeiros passos quando alguém quer realmente evoluir no tênis — e não apenas “bater bola”.
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